Derivação Ventricular para Controle de Sintomas em Carcinomatose Meníngea
Fisiopatologia e Apresentação Clínica
- A infiltração de células tumorais nas leptomeninges e no espaço subaracnóideo pode causar obstrução do fluxo do líquido cefalorraquidiano (LCR), resultando em hidrocefalia e hipertensão intracraniana 1, 2
- Os sintomas típicos incluem cefaleia intensa, alteração do estado mental, anormalidades da marcha, incontinência urinária, náuseas e vômitos 3, 4
Avaliação Diagnóstica
- A ressonância magnética (RM) com contraste é essencial para avaliar a presença de hidrocefalia e o envolvimento leptomeníngeo 1, 2
- Em até 40% dos pacientes, a RM pode mostrar realce leptomeníngeo difuso, espessamento ou depósitos nodulares no espaço subaracnóideo, com ou sem hidrocefalia 2
- A punção lombar com medição da pressão de abertura é importante para avaliar a hipertensão intracraniana 3, 4
Manejo da Hipertensão Intracraniana e Cefaleia
- Para pacientes com hipertensão intracraniana no momento do diagnóstico, recomenda-se terapia médica e punções lombares repetidas como manejo inicial 3, 4
- A pressão deve ser reduzida pela remoção de LCR em volume suficiente para reduzir a pressão para 50% da pressão de abertura ou 200 mm de H₂O, o que for maior 3
- Este procedimento deve ser repetido diariamente por pelo menos 4 dias até que a pressão estabilize para <250 mm H₂O 3
Derivação Ventricular
- A maioria dos pacientes que desenvolvem hipertensão intracraniana persistente não resolverá este problema sem a colocação de uma derivação permanente 4
- A derivação ventriculoperitoneal (DVP) pode ser usada quando a pressão não é controlada por medidas menos invasivas 5
- Em uma série de 27 pacientes com hidrocefalia obstrutiva, 63% tiveram bons resultados após a colocação de derivação permanente 5
- O resultado foi pior naqueles que desenvolveram uma pontuação na Escala de Coma de Glasgow <9, sugerindo que a colocação precoce em casos difíceis pode ser benéfica 5
Considerações Importantes
- A derivação pode ser colocada durante a infecção ativa, desde que a terapia antineoplásica eficaz tenha sido introduzida antes da colocação da derivação 5
- É importante monitorar complicações potenciais, como infecções, falha da derivação e obstrução devido a líquido altamente proteico 4, 5, 6
- Para pacientes com carcinomatose meníngea e cefaleia intensa, a derivação ventricular deve ser considerada quando há evidência de hidrocefalia na neuroimagem, a cefaleia persiste apesar de medidas menos invasivas ou há sinais de hipertensão intracraniana refratária 1, 2, 3, 4, 5